sexta-feira, 14 de março de 2014

Harry Potter - A Pedra Filosofal

Rowling, J. K.;
Harry Potter e a Pedra Filosofal;



Um garoto órfão criado pelos tios, que demonstram verdadeiro em prazer em transformar sua vida em uma experiência miserável, descobre que há muito sobre sua família e sobre si mesmo a aprender. Em um tom de mistério crescente, eventos inexplicáveis passam a ocorrer de modo cada vez mais frequente até que seja apresentado um mundo completamente novo, o mundo da magia.

Harry Potter é uma das séries mais bem sucedidas na ficção infanto-juvenil, e através da minha experiência tardia de leitura vou tentar descrever os pontos que mais vi brilharem.

Evidentemente, um criança pré-adolescente que ao completar seus 11 anos passa por enormes mudanças, desde o modo como se relaciona com os outros, até a forma como lida com problemas cotidianos, associam muito da vida dos leitores com a do jovem bruxo. Dando vazão à imaginação, a identificação de qualquer leitor (indiferente a sua idade) com as experiências de um jovem inocente e maravilhado com as descobertas, orientam tanto leitor quanto protagonista através da jornada de aprendizagem deste mundo surpreendente.

A progressão com que Harry se envolve com as possibilidades que a magia lhe proporciona, é balanceada com a trama bem amarrada que encoberta seu passado. Lentamente, o garoto reune informações sobre seu passado, que lhe garantem a imensa popularidade entre os magos, e o leitor passa a acompanhar sua história com crescente interesse.

O sinistro evento que envolve Lord Voldemort é ponto crucial para envolver Harry e seus amigos em aventuras, excitar ânimos e forçá-los a tomar decisões que lhes farão amadurecer suas características individuais.

Utilizando da medida certa, a saga Harry Potter começa com um primor a dar inveja ao avalanche de trilogias, séries e demais sagas de livros que em nada têm o valor literário visto nesses livros.

(Recomendação: a leitura no idioma original é altamente recomendada. O inglês presente na obra não deve ser problema ao leitor que tenha nível intermediário a avançado de proficiência.)

sexta-feira, 7 de março de 2014

O País das Neves

Kawabata, Yasunari;
O País das Neves;
Modernismo japonês



Viajando para o oeste do Japão, um homem busca beleza e serenidade. Sua ligação com o cenário local é reforçada a cada retorno, quando retoma seu confuso relacionamento com uma gueixa local.

Kawabata faz uma prosa que se mescla com poesia e vai desenhando um cenário límpido e alvo, preenchido por termas d'água, montanhas de neve que cercam uma terra rica de cultura. Através da gueixa, uma artista da poesia, música e dos costumes, o protagonista reata lentamente sua afeição pela própria cultura.
A personalidade volátil da gueixa faz pulular os desejos reprimidos do homem que ama, e que já parece conformado com uma vida fácil e monótona.

Uma obra que começa como uma visão sem nitidez de um mundo simples, branco e desfocado, que gradativamente se apresenta repleto de vida e sentimento. Uma serenidade aparente, mas em realidade um turbilhão de sensações dentro de nós mesmos (personagens e leitores) que notamos onde reside a verdadeira agitação que dá vida ao mundo.

O País das Neves é como uma tela branca a ser preenchida por nossas emoções, uma pintura que recomeça a cada leitura.

terça-feira, 4 de março de 2014

A Morte de Ivan Ilitch

Tolstói, Liev;
A Morte de Ivan Ilitch;
Realismo Russo



Ao nos contar sobre a vida do promotor Ivan até o culminante dia de sua morte, Tolstói apresenta uma história tátil sobre um homem que vive pelo orgulho de seu trabalho.
Ivan persegue a glória de cargos públicos o máximo que sua obstinação e saúde permitem, e dedica pouca atenção à própria família e relacionamentos afetivos.
Entretanto, quando se vê limitado aos cuidados de um enfermeiro, que lhe atende as dores na cama de casa, Ivan repensa sua trajetória e percebe em seus arrependimentos em relação à família um sofrimento maior que as torturas do corpo.
Uma reflexão sobre uma vida incompleta, cuja culpa está na autoimposta obsessão pelo reconhecimento dos seus esforços. Ironicamente, quando anunciada a morte de Ivan Ilitch, seus colegas de trabalho iniciam de imediato uma disputa pelo posto que ele ocupava.

Um livro que não desperdiça palavras ou se entrega à floreios ao retratar a trajetória e morte de um homem que, apenas beirando a morte, descobre que as verdadeiras conquistas de sua vida na têm a ver com trabalho ou a expectativa social.